Coronavírus: as variantes virais, a hipótese da rainha vermelha

O surgimento assustador de variantes mais transmissíveis e agressivas do Coronavírus, está relacionado às mutações genéticas que esse agente biológico sofre num curto intervalo de tempo. O principal alvo dessas mutações é uma proteína localizada em sua superfície chamada spike, uma “ferramenta” que o vírus utiliza para infectar seu hospedeiro, no caso nossas células.

Num ambiente exposto às variações químicas, físicas e biológicas, ocorre um processo chamado “seleção natural”, e o que isso significa? É o mesmo processo que quanto ao uso de antibióticos de forma contínua e inadequada, isso vai acarretar nas variações ambientais já mencionadas, o que gera uma pressão seletiva aos agentes infecciosos, nesse caso as bactérias, sobrevivendo apenas aquelas que possuírem uma mutação benéfica e hereditária em seu código genético, ou seja, serão imunes ao fármaco.

Quando o Coronavírus infecta um número considerável de pessoas, estará exposto a diversos tipos de ambiente (no caso nosso corpo), onde encontrarão sistemas imunológicos completamente variados, e essa alta taxa de transmissão, faz com que as mutações sejam inevitáveis. Só lembrando que as mutações nem sempre são benéficas, elas também podem eliminar o Coronavírus.

AÇÃO DO VÍRUS

A prioridade do Coronavírus é se espalhar, e isso guia a evolução dele, ironicamente, o vírus quanto menos letal tem mais chance de se espalhar e infectar novos hospedeiros e assim continuarem circulando e infectando cada vez mais.

Na maioria de pessoas infectadas, geralmente essa evolução não tem tempo de acontecer, pois a doença se resolve rápido, no entanto em pacientes imunocomprometidos, o sistema imune luta por um longo período contra a doença, muitas vezes sem eficácia, e são nesses casos que as mutações ocorrem, e essas pessoas se tornam hospedeiros do vírus com maior potencial infeccioso e assim os espalhando pela sociedade.

A taxa de pessoas imunes tanto curadas como vacinadas, é inversamente proporcional a disseminação do vírus, é por isso que novas variantes surgem, pois elas os tornam aptos em infectar seus hospedeiros de forma mais invasiva.

Novas armas serão sempre necessárias para combater novas defesas e vice-versa, pois no âmbito evolutivo, é preciso correr muito, mas muito para permanecer no mesmo lugar, a hipótese da rainha vermelha.

Autor: Diego Damião Alexandre Spinha, Graduado em Ciências Biológicas e Técnico Ambiental

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *